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A ascensão dos biocombustíveis em meio à interrupção do fornecimento de petróleo

À medida que o conflito no Médio Oriente perturba o fornecimento global de petróleo e gás e aumenta os preços, os países procuram alternativas de combustíveis fósseis para melhorar a segurança energética, ao mesmo tempo que prosseguem objectivos de descarbonização, e a procura de biocombustíveis está a aumentar. Mais de 90% dos biocombustíveis do mundo são produzidos a partir de culturas alimentares, principalmente milho cultivado nos Estados Unidos; a cana-de-açúcar cultivada no Brasil é a segunda maior fonte, seguida por oleaginosas como óleo de palma, óleo de soja e óleo de colza, enquanto o óleo de cozinha usado e as gorduras animais respondem por cerca de 12%.


A Ásia compra aproximadamente 80% do petróleo transportado através do Estreito de Ormuz e, com o estreito actualmente bloqueado, os países asiáticos têm procurado aumentar a utilização de biocombustíveis desde o início do conflito. A Reuters relata que, devido ao aumento dos preços da energia, o Vietname acelerou a sua transição completa para a gasolina misturada com etanol de Junho para Abril; A Indonésia aumentou a sua mistura obrigatória de biodiesel à base de óleo de palma de 40% para 50%; As refinarias dos EUA são obrigadas a misturar volumes recordes de biocombustíveis este ano; e o governo brasileiro planeja aumentar sua mistura de etanol de 30% para 32% até o final de junho.


Os biocombustíveis podem aumentar a segurança energética, reduzindo a dependência das importações e ajudando a cumprir as metas de redução de emissões. A indústria apoia o desenvolvimento económico e a criação de emprego, especialmente nas zonas rurais, ao mesmo tempo que utiliza resíduos agrícolas e resíduos orgânicos — ambos abundantes na Índia. O modelo bioenergético promove práticas de economia circular e inclusão social. O etanol e o biogás comprimido estão a liderar o crescimento na Índia, e a Agência Internacional de Energia afirma que, sob políticas de apoio, a produção de biocombustíveis, incluindo o biodiesel, poderá duplicar até 2030. Desde 2018, o consumo de etanol na Índia cresceu de menos de 2 mil milhões de litros para mais de 11 mil milhões de litros.


A produção global de biocombustíveis líquidos aumentou sete vezes nas últimas duas décadas, impulsionada principalmente por políticas nos Estados Unidos, no Brasil e na União Europeia, enquanto o consumo na Colômbia, Argentina, Malásia e Tailândia também deverá crescer. Estes projetos utilizam biomassa não alimentar, incluindo resíduos agrícolas, resíduos florestais e resíduos sólidos urbanos, alcançando práticas mais sustentáveis ​​sem comprometer o abastecimento alimentar. As opções emergentes incluem biocombustíveis à base de algas, como biodiesel, bioetanol e combustível de aviação, que são produzidos por microrganismos fotossintéticos e podem utilizar águas residuais, bem como biohidrogénio produzido a partir da água principalmente através de processos biológicos ou eletroquímicos.


O biometanol é produzido a partir de biomassa através de colheita de baixa intensidade e melhora a eficiência do combustível quando misturado com gasolina ou utilizado em células de combustível, enquanto os combustíveis sintéticos de base biológica de quarta geração utilizam microrganismos modificados para converter dióxido de carbono e resíduos orgânicos em combustíveis líquidos.

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